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sábado, 19 de julho de 2014

A culpa por você ser pobre é totalmente sua.



Do Blog do Sakamoto



A frase acima raramente traduz a verdade. Mas é o que muita gente quer que você acredite.
Aí a gente liga a TV de manhã para acompanhar os telejornais por conta do ofício e já se depara com histórias inspiradoras de pessoas que não ficaram esperando o Maná cair do céu e foram à luta. Pois a educação é a saída, o que concordo. E está ao alcance de todos – o que é uma besteira. E as cotas por cor de pele, que foram fundamentais para o personagem retratado na reportagem alcançar seu espaço e mudar sua história, nem bem são citadas.
Pra quê? No Brasil, não temos racismo, não é mesmo? Até porque o negro não existe. É uma construção social…
Quando resgato a história do Joãozinho, os meus leitores doutrinados para acreditar em tudo o que vêem na TV ficam loucos. Joãozinho, aquele self-made man, que é o exemplo de que professores e alunos podem vencer e, com esforço individual, apesar de toda adversidade, “ser alguém na vida”.
(Sobe música triste ao fundo ao som de violinos.)
Joãozinho comia biscoitos de lama com insetos, tomava banho em rios fétidos e vendia ossos de zebu para sobreviver. Quando pequeno, brincava de esconde-esconde nas carcaças de zebus mortos por falta de brinquedos. Mas não ficou esperando o Estado, nem seus professores lhe ajudarem e, por conta, própria, lutou, lutou, lutou (contando com a ajuda de um mecenas da iniciativa privada, que lhe ensinou a fazer lápis a partir de carvão das árvores queimadas da Amazônia), andando 73,5 quilômetros todos os dias para pegar o ônibus da escola e usando folhas de bananeira como caderno. Hoje é presidente de uma multinacional.
(Violinos são substituídos por orquestra em êxtase.)
Ao ouvir um caso assim, não dá vontade de cantar: Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amoooooooor?
Já participei de comissões julgadoras de prêmios de jornalismo e posso dizer que esse tipo de história faz a alegria de muitos jurados. Afinal, esse é o brasileiro que muitos querem. Ou, melhor: é como muitos querem que seja o brasileiro.
Enfim, a moral da história é:
“Se não consegue ser como Joãozinho e vencer por conta própria sem depender de uma escola de qualidade, com professores bem capacitados, remunerados e respeitados, e de um contexto social e econômico que te dê tranquilidade para estudar, você é um verme nojento que merece nosso desprezo. A propósito, morra!''
Uma vez, recebi reclamações da turma ligada a ações como “Amigos do Joãozinho”. Sabe, o pessoal cheio de boa vontade genuína e sincera, mas que acredita que o problema da escola é que falta gente para pintar as paredes. Um deles me disse que acreditava na “força interior'' de cada um para superar as suas adversidades. E que histórias de superação são exemplos a serem seguidos.
Críticas anotadas e encaminhadas ao bispo, que me lembrou de que eu iria para o inferno – se o inferno existisse, é claro.
O Brasil está conseguindo universalizar o seu ensino fundamental, mas isso não está vindo acompanhado de um aumento rápido na qualidade da educação. Mesmo que os dados para a evolução dos primeiros anos de estudo estejam além do que o governo esperava no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), grande parte dos jovens de escolas públicas têm entrado no ensino médio sabendo apenas ordenar e reconhecer letras, mas não redigir e interpretar textos.
Enquanto isso, o magistério no Brasil continua sendo tratado como profissão de segunda categoria. Todo mundo adora arrotar que professor precisa ser reconhecido, mas adora chamar de vagabundo quando eles entram em greve para garantir esse direito.
Ai, como eu detesto aquele papinho-aranha de que é possível uma boa educação com poucos recursos, usando apenas a imaginação. Aulas tipo MacGyver, sabe? “Agora eu pego essa ripa de madeira de demolição, junto com esses potinhos de Yakult usados, coloco esses dois pregadores de roupa, mais essa corda de sisal… Pronto! Eis um laboratório para o ensino de química para o ensino médio!''
É possível ter boas aula sem estrutura? Claro. Há professores que viajam o mundo com seus alunos embaixo da copa de uma mangueira, com uma lousa e pouco giz. Por vezes, isso faz parte do processo pedagógico. Em outras, contudo, é o que foi possível. Nesse caso, transformar o jeitinho provisório em padrão consolidado é o ó do borogodó.
Pois, como sempre é bom lembrar, quem gosta da estética da miséria é intelectual, porque são preferíveis escolas que contem com um mínimo de estrutura. Para conectar o aluno ao conhecimento. Para guiá-lo além dos limites de sua comunidade.
“Ah, mas Sakamoto, seu chato! Eu achei linda a história da Ritinha, do Povoado To Decastigo, que passa a madrugada encadernando sacos de papel de pão e apontando lascas de carvão, que servirão de lápis, para seus alunos da manhã seguinte. Ela sozinha dá aula para 176 pessoas de uma vez só, do primeiro ao nono ano, e perdeu peso porque passa seu almoço para o Joãozinho, um dos alunos mais necessitados. Ritinha, deu um depoimento emocionante ao Globo Repórter, dia desses, dizendo que, apesar da parca luz de candeeiro de óleo de rato estar acabando com sua visão, ela romperá quantas madrugadas for necessário porque acredita que cada um deve fazer sua parte.''
Ritinha simboliza a construção de um discurso que joga nas costas do professor a responsabilidade pelo sucesso ou o fracasso das políticas públicas de educação. Esqueçam o desvio do orçamento da educação para pagamento de juros da dívida, esqueçam a incapacidade administrativa e gerencial, o sucateamento e a falta de formação dos profissionais, os salários vergonhosamente pequenos e planos de carreira risíveis, a ausência de infraestrutura, de material didático, de merenda decente, de segurança para se trabalhar. Esqueçam o fato de que 10% do PIB para a educação está longe de sair do papel.
Joãozinho e Ritinha são alfa e ômega, os responsáveis por tudo. Pois, como todos sabemos, o Estado não deveria ter responsabilidade pela qualidade de vida dos cidadãos.
Vocês acham sinceramente que “a pessoa é pobre porque não estudou ou trabalhou''?
Acreditam que basta trabalhar e estudar para ter uma boa vida e que um emprego decente e uma educação de qualidade é alcançável a todos e todas desde o berço?
E que todas as pessoas ricas e de posses conquistaram o que têm de forma honesta?
Acham que todas as leis foram criadas para garantir Justiça e que só temos um problema de aplicação?
Não se perguntam quem fez as leis, o porquê de terem sido feitas ou questiona quem as aplica?
Sabem de naaaaada, inocentes!
Como já disse aqui, uma das principais funções da escola deveria ser produzir pessoas pensantes e contestadoras que podem colocar em risco a própria estrutura política e econômica montada para que tudo funcione do jeito em que está. Educar pode significar libertar ou enquadrar – inclusive libertar para subverter.
Que tipo de educação estamos oferecendo?
Que tipo de educação precisamos ter?
Uma educação de baixa qualidade, insuficiente às características de cada lugar, que passa longe das demandas profissionalizantes e com professores mal tratados pode mudar a vida de um povo?
O Joãozinho e a Ritinha acham que sim. Mas eu duvido.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Direto de Roma

Agora aqui em Roma-capital da Itália- são 23h e 09m. No Brasil são apenas 18h e 09m. Para minimizar o efeito do fuso-horário estou no restaurante do hotel Holiday Inn usufruindo do Wi-Fi grátis e zapeando os sites e blogs brasileiros. Garimpei esse texto que achei fenomenal que mistura futebol X política X imprensa. Resolvi compartilhar com meus leitores.

Tente ler até o final. Afinal, quem lê, quem se informa se torna mais interessante.

Mídia transfere o peso da derrota



Por Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa:

Avisem os adolescentes que sonham, os vestibulandos que se iludem com o brilhareco da carreira e os estudantes que ainda acham importante entender a semiótica: para chegar lá, para manipular o microfone, surgir gloriosamente nas telas da televisão ou para ver seu nome estampado em páginas de jornais e revistas, será preciso ter estômago de avestruz e convencer a si mesmo de que é a pauta que inventa o mundo.

Essa é uma das lições que se pode extrair da cobertura que se segue ao desastre futebolístico do Mineirão. O noticiário e o opiniário agasalhados pelos jornais desta quinta-feira (10/7) nos apresentam o padrão que deverá balizar o jornalismo brasileiro após a vexaminosa derrota da seleção nacional para a equipe da Alemanha.

Baixada a poeira da decepção, quando as redes sociais extravasam em ironias e anedotas a capacidade dos brasileiros de superar a tristeza com bom humor, eis que a imprensa resolve abrir sua caixa de maldades. Não, os textos não condenam liminarmente os principais responsáveis pelo fiasco dentro de campo: os jornais tratam de transferir o peso da derrota para Brasília.

Editoriais e artigos, diretamente, tentam fazer a conexão entre o fracasso da equipe de Luiz Felipe Scolari e a disputa eleitoral, buscando uma relação entre política e futebol que de alguma maneira vincule o governo federal ao frustrado projeto do hexacampeonato.

A referência mais explícita está na manchete do Estado de S. Paulo: “Dilma tenta se descolar do fracasso da seleção”, diz o título no alto da primeira página. A frase afirma que há um vínculo a priori entre o futebol e o campo da política.

Ora, se existe esse vínculo, convém que a imprensa esclareça ao público em que grupo político se alinham o presidente da CBF, José Maria Marin, seu sucessor, Marco Polo Del Nero, o coordenador técnico da seleção, Carlos Alberto Parreira, e o técnico Scolari.

Discursos de campanha, frases de efeito e oportunismo caracterizam todas as disputas eleitorais. O problema é o que a imprensa faz com tais manifestações. No caso, claramente, os jornais resguardam os outros candidatos e expõem junto à foto da vergonhosa derrota no futebol a imagem da presidente da República.

Jornalismo obsceno

Ainda que saibamos, todos, que a imprensa adora chutar cachorro morto, pode-se observar certa complacência com relação à entrevista em que Parreira e Scolari defenderam seu projeto fracassado.

Ainda que aqui e ali alguns comentaristas mais críticos afirmem a obviedade de que ambos são responsáveis pelo resultado vergonhoso do projeto, os textos principais da imprensa e os comentários das emissoras mais empenhadas na cobertura da Copa evitam contrariar a avaliação da dupla de que tudo foi planejado com perfeição.

Ora, diante do resultado e com a possibilidade de analisar friamente os seis minutos de pânico e desorganização que permitiram à seleção da Alemanha impor uma goleada irreversível à equipe nacional, o mínimo que se poderia esperar da imprensa era que fizesse o mea culpa e admitisse que havia sido complacente demais com os dois coordenadores da CBF.

Uma mensagem lançada nas redes sociais pelo empresário do jogador Neymar Jr. desmoraliza em poucas linhas o trajeto recente de Luiz Felipe Scolari – que em nada autorizava o entusiasmo com que a imprensa apoiou seu trabalho até o dia do desastre.

Como sabemos todos que a carreira de Scolari e Parreira se encerra por aqui, com o selo do vexame fechando os envelopes de seus currículos, é apenas questão de dias para que os jornais finalmente façam a radiografia de seus erros. A data mais provável é o próximo domingo (13/7), principalmente se a seleção brasileira não conseguir vencer no sábado a desmotivada Holanda, cujo técnico já declarou que preferia voltar para casa do que disputar o terceiro lugar.

Mas antes de fazer o rescaldo completo do fracasso dentro das quatro linhas, a imprensa hegemônica trata de transferir o saldo negativo para o campo político. Trata-se apenas de uma amostra do que vem por aí a partir da semana que vem, quando as atenções estiverem voltadas para a disputa eleitoral.

Tirem as crianças da sala. O jornalismo brasileiro está se aproximando perigosamente da obscenidade.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Recesso no Blog

Todos tem direito a férias, inclusive esse incansável Blogger. Assim, estaremos dando um pequeno intervalo nas publicações autorais, a não ser que aconteça algo extraordinário e eu não resista.

Hoje embarcarei para a Europa a fim de desfrutar de uns dias de folga e recarregar as baterias. Não vou fazer como alguns que quando saem do país dizem que vão tomar um banho de cultura e civilização. Isso já faço sem precisar sair do Brasil.

Para não deixar meus leitores sem conteúdo, selecionarei cuidadosamente alguns textos interessantes de sites fenomenais, de preferência, sobre política. No retorno iniciarei o projeto de publicação do encarte com os 100 textos mais acessados no Blog para comemorar (atrasado) os cem mil acessos.

No início de agosto estaremos de volta se assim Deus permitir.

Boas férias a todos!!!

4.0 - Temos direito a sonhar

Por Antonino Brito*


Quando completei 35 anos convoquei três amigos para passarmos o dia juntos, sem mulheres, filhos, namoradas (quem porventura tivesse), e escolhemos um recanto fora da cidade, onde pescamos, bebemos e comemos um bom peixe frito à beira do lago. Eu que era abstêmio já alguns anos, acompanhei na base do refrigerante e água mineral.
            A razão deste encontro era trazer para hoje as ideias e projetos que norteavam nossas vidas nos idos da adolescência, quando nos conhecemos, e fazer um paralelo com o que nós realizamos nos quase 20 anos que se passaram.
            Saímos de lá com a certeza que acertamos mais que erramos, pois tínhamos família, filhos e gozávamos de bom relacionamento com a sociedade.
            Hoje completo 4.0, quarenta que mais parecem 20 pela vontade de realizar e às vezes parecem 60 pelas vitórias e derrotas acumuladas pelo caminho.
            Fiz muitos planos para comemorar os quarenta anos: uma grande festa na minha casa, uma viagem com a família pelo nordeste, assistir com os meus filhos um jogo do Brasil na copa do mundo. Ao final do prazo e a poucos dias do 05 de julho, após fazer alguns cálculos matemáticos, percebi, sem tristeza ou ressentimento, que os números não permitiam realizar qualquer um destes planos, não só os números, mas também outros acontecimentos que ao longo da minha caminhada me moldaram, as vezes com dor e outras com alegria e felicidades.
            Como quem tem amigos nunca está só, graças a Deus. Fui intimado a não sair de casa na noite do meu aniversário, mesmo já tendo duas agendas para comemorar a data em festas já organizadas, desmarquei a saída. Fizemos uma lasanha para receber alguns amigos em casa, e ao som do violão tomamos umas cervejas acompanhadas de petiscos e carne assada até a madrugada.
            Foi melhor do que o esperado, mais gostoso que o planejado e com isso tive a certeza que algumas pessoas sentem prazer em estarmos juntos.
            Fazendo um balanço, vejo que os melhores momentos vividos foram aqueles que tomei a decisão  de ir e fui, medindo sempre as consequências, mas não deixando que o medo definisse os rumos da minha vida.
            Renovei meus sonhos, troquei alguns deles e com isso acredito chegar aos outros quarenta com chance de olhar para trás e sorrir.



Bye bye Brasil

Apagão coletivo


Quem se lembra da grande final de 1998? Brasil X França? Toda expectativa foi depositada sobre o melhor jogador do mundo, Ronaldo Nazário, o fenômeno. Ronaldo estava no auge! Por dois anos consecutivos foi eleito o melhor do mundo -1996 e 1997. (Em 2002 foi eleito pela terceira vez). 

Copa do Mundo na França, jogo final contra os donos da casa. O Brasil era o favorito absoluto e todos os comentaristas esportivos do mundo apontavam suas baterias para o nosso fenômeno. Além do fenômeno tínhamos Cafú, Bebeto, Roberto Carlos, Leonardo, Júnior Baiano, entre outros craques que estavam entrosados e com muita experiência.

No dia do jogo corre o boato que Ronaldo teria sofrido um mal estar na noite anterior. Apreensão total! Somente 30 minutos antes do jogo o técnico Zagalo confirmou a escalação de Ronaldo. Mas bastou iniciar a partida para todos perceberem que havia algo errado. Um Ronaldo apático, com aparência de quem estava dopado não conseguia se movimentar e não acertava uma jogada. Os demais jogadores foram contaminados com aquela situação e aí vocês já sabem o que aconteceu: o Brasil tomou uma goleada de 3 X 0 e todos os torcedores ficaram desnorteados procurando uma explicação. Aquela seleção que brilhou tanto nos seis jogos não era a mesma na final. Será que a situação de um jogador pode abalar um time inteiro? Falou-se até em teoria da conspiração. O fato é que nem Zagalo, nem Ronaldo explicou o que aconteceu naquele dia.

Ontem, dia 08 de junho no Mineirão (terra do principal secador da seleção -Aécio Neves), aconteceu outro apagão. Só que dessa vez foi diferente. Com a lesão do nosso principal atleta, o time teve uma semana para se adaptar à nova realidade e preparar uma nova tática para jogar sem Neymar. O resultado foi desastroso e cruel. Criou-se a expectativa de que todos os jogadores dariam a alma por aquele jogo e supririam a falta do Neymar. Mas, o que vimos foi a pior tragédia da história do futebol. Nem um brasileiro mais pessimista e nem um alemão mais otimista seria capaz de prever essa catástrofe. Assistimos a um time inteiro se arrastando pelo campo após o primeiro gol da Alemanha e cometendo erros infantis. Parecia um time juvenil treinando contra uma poderosa seleção. Pela segunda vez a nossa seleção sofreu um apagão coletivo causado pela ausência de apenas um jogador.

Já escrevi duas vezes sobre essa tese quando comentei sobre as derrotas do Anderson Silva. A minha tese é a seguinte: quando se começa uma batalha com o psicológico abalado, a derrota é certeira e natural. O nosso grande problema é não saber lhe dar com as adversidades da vida. O brasileiro tem esse perfil. Não fomos preparados para agirmos com sangue frio diante de condições adversas. Não temos a frieza dos alemães. E nesse aspecto os alemães são mestres. Veja um exemplo: eles escolheram as cores da camisa da maior torcida do Brasil. Esse detalhe por mais que pareça banal tem uma forte reação psicológica no nosso subconsciente.

Perder faz parte, é natural numa disputa. Agora tomar de 7 X 1? Esse resultado deixou toda a nação brasileira perplexa e triste. Hoje amanhecemos de luto. O mais importante é viver intensamente esse luto e tentar aprender alguma lição dessa derrota desastrosa.

De quem foi a culpa?


É normal o brasileiro ficar procurando culpados diante de uma derrota. Eu diria que não houve. A escalação do Felipão foi a mais consensual e festejada de todos os tempos. Jamais na nossa história houve tamanha concordância da escalação de um técnico, salvo algumas poucas exceções. Nossos jogadores são de qualidades inquestionáveis. Todos arrebentaram nos seus clubes -a exceção de Júlio Cesar. Ganhamos os outros jogos com placar apertados? Normal em Copa. Grandes seleções como Inglaterra, Itália e Espanha deram vexame e voltaram cedo para casa. Na minha visão, o Felipão só falhou em dois aspectos: Hulk e Fred. Hulk estava pesadão e desde o primeiro jogo teve péssimo desempenho; Fred era a única experiência do time, mas era jogador para entrar após trinta minutos do segundo tempo. Começando o jogo com Fred é o mesmo que jogar com um a menos. Sem desmerecer suas qualidades, Fred já não tem mais as habilidades e o perfil de jogador de seleção.

Outro fator foi o desentrosamento do time. Enquanto a Alemanha tinha sete jogadores do mesmo time (Bayern de Munique), o Brasil tinha craques isolados e desentrosados. E pior: todos dependiam da genialidade do Neymar.

Ganhamos fora de campo


Se perdemos a copa de forma vexaminosa, fora de campo demos um show e conquistamos uma grande vitória. Ao contrário do que previam os agouradores do apocalipse que tentaram tirar vantagem política, não tivemos apagões nos aeroportos, não tivemos violência, arruaças, manifestações, não tivemos estádios inacabados, enfim, a tragédia tão esperada e propalada pelos políticos derrotados não aconteceu. Ao contrário, demos um show de organização, de entusiasmo, de civilidade, de empreendedorismo e de hospitalidade. Os jornalões, a imprensa dominada pela elite retrógrada e reacionária caíram no ridículo. Tiveram que engolir elogios rasgados da imprensa internacional sobre a nossa organização da copa.

Última esperança para Aécio e Campos


Por incrível que pareça, já vemos nas redes sociais os adeptos desses dois políticos espalharem mensagens ridículas tentando a qualquer custo associar a política com o futebol. Antes falavam que Dilma teria comprado a copa. Agora agem tentando passar a ideia de que a Dilma foi a responsável pela escalação da seleção. 

Pela falta de criatividade, pela falta de propostas concretas de mudança política para o país, a velha e carcomida elite política continua apostando no caos. Alimentam a esperança de que com esse resultado os vândalos vão promover quebra-quebra, vão provocar instabilidade política e assim tirarem proveito nas eleições próximas. Apostam na imbecilidade dos desavisados que torcem pelo pior e acham que somos desprovidos de cérebro.

E por falar em bye bye Brasil, hoje me despeço temporariamente do meu país. FÉRIAS! Vou dar uma voltinha pela Europa e em agosto estarei de volta com as baterias carregadas e com muito mais balas na agulha.

Boa sorte a todos! Independente do futebol a vida segue nos oferecendo muitos motivos para comemorar. Aproveite cada um deles e agradeça.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Análise política das eleições 2014

Como prometi ontem, hoje farei uma pequena análise do cenário político de Parauapebas e de alguns candidatos. Mas antes atenderei ao pedido de um leitor e colocarei os partidos de todos.

Para Deputado Federal:

  • Afonso Vidinha- PRTB
  • Charles Borges- SDD
  • Célia Oliveira- PEN
  • Faisal Salmen - PPS
  • Marcelo Catalão - DEM
  • Milton Zimmer - PT
  • Zé Roberto - PSC
Para Deputado Estadual:

  • Adelson - PSC
  • Ângela - PTB
  • Chico das Cortinas - PHS
  • Coutinho - PMDB
  • Eliene Soares - PT
  • Flávio Veras - PRB
  • Gesmar - PSD
  • Luzinete - PV
  • Zezinho- PSOL
  • Zé Rinaldo - PSDB

Governo Valmir rachado


Desde o início do seu governo o Prefeito Valmir nunca conseguiu unificar a sua base. Essa realidade salta aos olhos de forma escancarada nessas eleições. No início havia uma briga por candidaturas governistas entre Horácio da SEMPROR e Gesmar do SAAEP. Até os 48 minutos do segundo tempo o Valmir apresentava o Horácio como o seu candidato. No apito final anunciou o Gesmar como seu candidato a Deputado Estadual. Isso gerou uma grande insatisfação na base governista que achava o nome do Horácio com mais consistência e mais experiência para o cargo. 

Como se não bastasse essa confusão, a Vereadora Luzinete do PV que mantém como "SUAS" as Secretarias de Meio Ambiente e da Mulher resolveu se lançar candidata. Para completar a família Veras que é "DONA" da Secretaria Municipal de Cultura lançou o Flávio Veras na disputa estadual. Temos ainda o Zé Rinaldo que foi a principal liderança na campanha do Valmir e Secretário de Finanças no começo da gestão. Esse se desentendeu com o prefeito por se sentir fritado e isolado. Como tinha força junto ao Governador Jatene, mesmo deixando a SEFAZ, permaneceu no comando de duas secretarias municipais sob a batuta do seu partido PSDB: SEFAZ E SEMAD. Zé Rinaldo é um forte candidato a Deputado Estadual e deve atrapalhar muito os planos do Prefeito Valmir de eleger seu pupilo Gesmar.

E só para colocar a cereja no bolo dessa confusão em que o prefeito se meteu, a vice-prefeita Ângela do PTB se sentiu traída e abandonada pelo prefeito. Seu marido Massud foi o responsável por bater pesado em seu antigo aliado -Darci- durante a campanha. Por conta disso,  não se reelegeu vereador mas contribuiu muito com a eleição do atual prefeito. Resultado: foi abandonado e agora lançou sua esposa, a vice-prefeita Ângela que vem prometendo vingança.

Em síntese, mesmo derramando muito dinheiro a candidatura oficial do Prefeito Valmir representada por Gesmar pode dar água. Mas, caso dê certo o Prefeito Valmir sairá bem fortalecido, aí eu vou tirar o chapéu para ele.

Estado de Carajás


Outro obstáculo que os candidatos ligados ao Prefeito Valmir terão é o discurso quanto ao Estado de Carajás. O povo dessa região tende a votar em quem se comprometer verdadeiramente com esse projeto. Todos defenderam à época a sua emancipação, porém, hoje estão na coligação do maior carrasco do sonho carajaense que é Simão Jatene. Portanto, mesmo que algum fale que será a favor, não passará de demagogia e discurso vago para enganar trouxa, pois em política o que vale mesmo é a ideia do comando, do grupo majoritário ou do cacique. Isso seria o mesmo que um elemento falar que defende a Reforma Agrária e se candidatar num partido de latifundiários. Portanto, muito cuidado com os discursos.

A grande surpresa dessa eleição

A Vereadora Eliene Soares do PT poderá ser a grande surpresa nesse processo eleitoral. Com a saída do Deputado Estadual Miltom Zimmer para disputar uma vaga de Federal, o PT de Parauapebas ficou com esse vácuo. Entre as várias lideranças do partido a vereadora foi convidada para assumir essa missão. Eliene que nunca pensou nessa possibilidade e priorizou seu mandato popular como vereadora foi apanhada de surpresa juntamente com todo o seu grupo de apoio. Após uma avaliação, após botar na balança os prós e contras aceitou o desafio. Está ciente que uma candidatura a Deputada Estadual não se constrói às vésperas de uma campanha, mas por outro lado o compromisso partidário falou mais alto. Como o eleitorado petista em Parauapebas é muito fiel, como a militância é forte, a Vereadora Eliene poderá ser a grande surpresa nessa eleição. Sem contar que o grupo político do Milton Zimmer apadrinhado pelo Deputado Federal Beto Faro é muito forte e tem votos em todos os municípios do Pará. Assim, Eliene -a exemplo do Milton- poderá ser bem votada em outros municípios.

Parauapebas terá candidato a Governador

Veja só como a nossa pujante Parauapebas é altaneira e atrevida. Além de diversos candidatos a Deputado Estadual e Federal, temos também um candidato a Governador. Trata-se de Elton Braga do PRTB

O Elton veio para Parauapebas para ajudar no projeto de expansão da escola Bom Pastor de propriedade da sua irmã, senhora Jane (esposa do advogado Josenir). Antes morava em Belém e já assumiu a presidência da CTBEL (Companhia de Trânsito de Belém). Hoje tem residência fixa tanto em Belém como em Parauapebas.

O PRTB que foi aliado à Simão Jatene na última eleição, saiu logo no início do governo por descumprimento do acordado na campanha. Nessa eleição preferiu não aderir a nenhuma candidatura majoritária e lançar voo solo. Assim escolheu o jovem Elton Braga para a missão de encabeçar a chapa e oferecer ao eleitorado uma alternativa para quem não vota nem em Helder Barbalho e nem em Jatene. 

O seu principal apoio em Parauapebas é Afonso Mata Vidinha que foi Secretário de Saúde Interino e assumiu a titularidade no último ano da gestão Darci. Vidinha é candidato a Deputado Federal com o número 2800 e conta com um vasto círculo de amizade em Parauapebas.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Aberta a temporada de caça em Parauapebas

Caça de votos



Nada mais, nada menos do que 17 candidatos de Parauapebas disputarão as eleições em outubro próximo, sendo 10 para Deputado Estadual e 07 para Federal. Os nomes são os seguintes em ordem alfabética:

Para Deputado Federal:


  • Afonso Vidinha
  • Charles Borges
  • Célia Oliveira
  • Faisal Salmen
  • Marcelo Catalão
  • Milton Zimmer e
  • Zé Roberto 
Para Deputado Estadual:

  • Adelson
  • Ângela
  • Chico das Cortinas
  • Coutinho
  • Eliene Soares
  • Flávio Veras
  • Gesmar
  • Luzinete
  • Zezinho e
  • Zé Rinaldo
Apesar do grande número de candidatos, a maioria não terá a mínima chance e lançaram seus nomes apenas pensando nas eleições de 2016 para Prefeito e Vereadores. Acreditam que suas candidaturas lhes darão holofotes bastante e os colocarão em evidência para a disputa futura. Essa tática em Parauapebas tem um certo fundamento. Os dois últimos prefeitos -Darci e Valmir- se apossaram da cadeira no executivo após serem bem votados para Deputado Estadual, apesar de não terem sido eleitos.

Candidato a deputado do Pará ou de Parauapebas?


É quase unanimidade em todos os setores de Parauapebas -principalmente na imprensa- que o povo não deve votar em candidato de fora. Quase todos pregam que só devemos votar em gente de Parauapebas.

Mesmo que essa ideia seja quase unanimidade, me permitam discordar. Acontece que ser de Parauapebas não é pré-requisito suficiente para garantir que o sujeito nos representará bem em Belém ou em Brasília. Ademais o cargo de Deputado não é local, e sim regional. Não estamos votando no deputado de Parauapebas, e sim do Estado do Pará. O eleito sendo de Parauapebas não é garantia nenhuma de que seremos priorizados, pois uma vez eleito, o Deputado passa a ter compromisso com todo o Estado, ou no mínimo com uma determinada região.

É claro que com a quantidade de candidatos que temos em Parauapebas, um ou outro se salva e tem a real dimensão do papel do Deputado. É evidente que se escolhermos alguém daqui será melhor para o município. Parauapebas é grande o bastante e merece ter seus representantes na Assembléia Legislativa (Belém) e no Congresso Nacional (Brasília). Porém, a escolha deve ser baseada em critérios técnicos e políticos, e não no fato do candidato ser de Parauapebas. O cidadão poderá julgar que nenhum dos nomes apresentados em Parauapebas atenda aos seus critérios e escolher alguém de fora. Temos que respeitar a decisão e não discriminar quem pensa assim. Afinal, repito: a escolha é regional.

Carajás: o sonho não acabou


Esse ano o que vai dar o tom da campanha é o Estado do Carajás. Ainda está muito fresco em nossa memória o golpe que o Governador Jatene nos deu ao fazer uma campanha agressiva contra a criação dos Estados de Carajás e Tapajós. Os eleitores dessa região estão sedentos para darem o troco e rejeitarão qualquer candidatura que represente o grupo do governador.

Isso está tão evidente que todos os candidatos vão querer pegar carona no discurso pró-Carajás. Mas, muita atenção para o você eleitor não comer mosca. Lembra daquele velho ditado "me digas com quem tu andas e eu te direi quem és?" Então! Não adianta o sujeito fazer discurso defendendo a criação do Estado do Carajás se está atrelado ao grupo político que foi e continua sendo contra a divisão. Portanto, muita atenção: se você votou e torceu a favor da criação do novo Estado, seria incoerência  votar em candidato que esteja no mesmo palanque de Jatene e companhia. 

Então amigo eleitor, olho vivo. Já está mais do que na hora de deixarmos de ser inocentes. Analise o partido político do candidato, a história, sua vida regressa, seu grupo e sua coerência política. Como diz o Faustão, "urna não é penico. Votar em quem te der dinheiro, em quem compra o seu voto com cestas básicas, com favores pessoais é um ato tão corrupto e abominável quanto o ato do político que rouba o dinheiro da saúde e da merenda escolar.

Para não alongar muito, amanhã avaliarei alguns candidatos.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Parauapebas: PT aposta em Eliene Soares e Milton Zimmer

Do Blog Sol do Carajás





O PT de Parauapebas, à unanimidade, indicou Eliene Soares e Milton Zimmer para representar o município nas eleições de outubro.

PT unido


A vereadora Eliene ganhou destaque pela sua atuação política em Parauapebas, ela mesmo foi surpreendida pela indicação para disputar uma vaga de deputada estadual pelo PT, foi uma escolha de todos, independente da tendência partidária a que pertença, um reconhecimento do trabalho realizado.

O nome da vereadora é avaliado pelo PT como muito promissor, várias lideranças do PT apostaram no nome de Eliene e acreditam na eleição para a Assembléia estadual.

Milton Zimmer

Milton Zimmer é um dos deputados estaduais mais influente do Pará, conseguiu uma vaga na Assembléia paraense numa disputa muito difícil, mas não parou, hoje é presidente estadual do PT e foi indicado para concorrer a deputado federal, com chances reais de eleição, devendo ser o deputado do PT mais bem votado na região do Estado do Carajás.

Mudança de Postura

Ficou claro que a indicação de Eliene Soares e Milton Zimmer é pra valer, foi escolhido os dois melhores nomes do PT de Parauapebas.

Com os dois nomes, o PT sinaliza uma mudança da postura política do partido no município, principalmente na relação com o corrupto e desgastado governo do empresário Valmir da Integral.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Você fala mal da sua casa!

*Alípio Ribeiro


edifique_sua_casa
Chamou-me a atenção um comercial da Hyundai “Agora mais brasileiro que nunca”, do Ix35. O comercial afirma que o SUV foi adaptado para as estradas brasileiras e mostra o veículo rodando em uma rodovia cheia de buracos e ondulações! Polêmica ou realidade? O comercial é veiculado em horário nobre nas tvs e está nas principais revistas do país!
É tão comum o brasileiro falar mal do Brasil, que não fico surpreso. E, não só do país! Frases como: “o brasileiro é corrupto”, “o brasileiro é analfabeto e não sabe votar”, “o brasileiro é desonesto” fazem parte do nosso cotidiano. Será que somos suecos, suíços? Você fala mal de sua casa? “Minha casa é uma merda! Chove mais dentro que fora!” “Meus irmãos são corruptos, meus pais são desonestos”! “Odeio minha casa, ela é tão suja que me dá nojo”!
Não, meu amigo! O brasileiro não é corrupto. Eu não sou corrupto! Você também não!
Por mais que não pareça, menos de 2% dos brasileiros são corruptos ou desonestos. Só que o brasileiro não gosta de participar. Foram tantos anos de dominação e colonização que ficamos submissos ao sistema. Ficamos inertes, apáticos. Sabe por quê?
O Brasil possui 142 milhões de eleitores aptos a votar. Destes, 15 milhões são filiados a partidos políticos e a metade participa ativamente da escolha dos candidatos nas convenções partidárias. 40 milhões anulam os votos ou votam em branco, algo que considero absurdo! Então você diz: “Mas não tenho em quem votar! Nenhum candidato presta”!
Você quer mudar isto? Primeiro, filie-se a um partido. Leve os vizinhos, a família, os amigos. Participe da convenção do partido que indicará o candidato para participar das eleições. Se não conhecê-lo, se não confiar nele, trabalhe, indique-se. Não se omita. Descarte todo e qualquer candidato que tenha um passado obscuro e ficha suja! Saia do sofá, da rua. Vá para a urna com a certeza do dever cumprido!
E vamos parar (me incluo) de falar mal do país. Falemos mal dos maus, dos corruptos. O brasileiro é bom, é trabalhador. O Brasil é ótimo, é nossa casa!
E mandemos os maus políticos, os sanguessugas, os corruptos, ladrões e enganadores do povo para aquele lugar!
* Professor efetivo de inglês/português da SEDUC/PA. Bacharel em direito.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Sessão de 24 de junho

Viva São João


Lembro-me com saudade do meu tempo de criança. Dia de São João era feriado obrigatório. A festa começava de véspera. Dia 23 era dia de fogueira, dia de quermesse, dia de quentão (para os adultos). A maioria da população do meu pacato povoado enfeitava a sua casa com bandeirolas e palha de coqueiro. Quem não acendia fogueira dia de São João ou era evangélico ou viúvo. Essa segunda alternativa acendia obrigatoriamente dia de São Pedro. Minha infância foi assim. E tome batata assada, pula fogueira, pé de moleque, quadrilha na escola, estoura bombinhas e estalos de salão...

Hoje isso não existe mais, pelo menos por aqui. Ninguém nem lembra de São João. Muitas mulheres ainda se lembram de Santo Antonio. Mesmo sem ser lembrado, São João fez um grande milagre aqui em Parauapebas, e fez justamente onde precisa de muitos milagres: a Câmara Municipal.

Tentativa de golpe


Ontem na sessão por pouco não acontece o maior golpe da história. O prefeito Valmir mandou a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentária) e dia 24 de junho entrou em votação após passar pelas comissões de praxe. Dizem que aqui no Pebinha acontece de tudo. E acontece mesmo. Boi voar já virou coisa do passado por aqui. Imagine você que o Projeto da LDO encaminhado pelo prefeito continha um grande golpe que quase passou despercebido pelos vereadores. Um não, dois. Primeiro: estava previsto que a LDO poderia ser suplementada sem a necessidade de autorização da Câmara. Segundo: o prefeito poderia remanejar orçamento a seu bel prazer sem nenhum pitaco de vereador. Você acha que isso é pouco? Para entender melhor seria a mesma coisa de você ter 2 bilhões em sua conta e me dar um talão de cheques assinados e em branco. Moleza não! Pois é. Contando isso fora do Pebas ninguém acreditaria e ainda dariam risadas em nossa cara.

Sansão X Dalila


E o tal golpe seria aprovado com facilidade. Já havia até tramitado na Comissão de Constituição e Justiça. Mas onde está o tal milagre? Imagine que de onde menos se esperava São João usou seus poderes para evitar tamanho golpe. O Vereador Euzébio imbuído com o espírito do mártir João Batista enfrentou o vereador Odilon num embate inédito que durou quase duas horas. Sério! No final do debate o vereador Odilom Sansão pela primeira vez na sua história política teve que voltar atrás  e até recomendou o voto contrário. Me pareceu muito com a história de Sansão e Dalila. Dalila era frágil, mas no fim corta o cabelo de Sansão lhe tirando toda a força e poder. Não me entendam mal. Não estou fazendo nenhuma comparação, só demonstrando simbolicamente que as vezes o lado frágil se supera e vence batalhas que pareciam perdidas.

Para quem não se liga muito em política isso parece coisa pequena. Mas é bom o cidadão se ligar mais. Se não fosse o vereador Euzébio, teríamos o maior golpe político da história com consequências desastrosas para todos os cidadãos. Agora não sei o que passou pela cabeça dos vereadores que votaram contra essa tentativa de golpe convencidos pelo Euzébio. Talvez seja pelo espírito republicano e democrático, ou talvez seja porque cada suplementação orçamentária que tem que passar pela Câmara gera uma possibilidade de grandes "negociações". O que você acha disso? Envie o seu pitaco.




Deputado Milton Zimmer vai concorrer à Câmara Federal

 Pedro Peloso -Blog do Deputado Beto Faro



Após uma longa reunião, realizada ontem (23/06) em Marabá, entre a Assessoria do deputado Beto Faro e a Assessoria do deputado Milton Zimmer, "o martelo foi batido": MILTON ZIMMER vai concorrer a uma vaga na Câmara Federal nas eleições de outubro.


A reunião de Marabá analisou cuidadosamente os prós e os contras da referida decisão e concluiu que se faz necessário e é imprescindível que a Região do Sul e Sudeste do Pará conte com uma candidatura a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores, já nas eleições de outubro próximo, visando fortalecer as lutas pelo desenvolvimento sócio-econômico da região.


"As potencialidades e as possibilidades para uma vitória eleitoral à Câmara Federal de um candidato próprio da região, pelo PT, existem e são palpáveis", afirmou Milton Zimmer, em determinado momento da reunião. "Temos que dizer para nós mesmos nesse momento, se temos vontade política suficiente para abraçar esta causa. Eu digo que estou disposto e confiante", concluiu.


Tomada a decisão local, os Assessores do deputado federal Beto Faro, presentes na reunião, comunicaram a disposição do deputado Beto, de apoiar decisivamente a iniciativa da região, em lançar a candidatura de Milton Zimmer a deputado federal.


A reunião de Marabá foi concluída com um planejamento das atividades a serem implementadas de imediato, no sentido de concretizar a decisão tomada. Depois disso, o grupo saboreou a vitória do Brasil, na COPA DAS COPAS, por 4 X 1, sobre a já eliminada Seleção de Camarões. (Pedro Peloso - Colaborador do Blog).

Nota do Blogger

Com a decisão da "AS" (Articulação Socialista) em lançar Milton para Federal, o grupo escolheu a vereadora Eliene para assumir a candidatura a Deputada Estadual em Parauapebas representando toda a região onde o Deputado Milton tem votos cativos. Após ampla discussão, o grupo avaliou que Parauapebas não poderá ficar sem uma representação petista na Assembléia Legislativa. Vários nomes da região foram avaliados, inclusive o do ex-prefeito Darci. Foi batido o martelo com o nome da Eliene por ser uma liderança em ascensão e com chances reais para uma disputa, além de representar bem o partido. Falta agora a Vereadora Eliene responder se topa esse desafio.

terça-feira, 24 de junho de 2014

A FIFA É RACISTA


"Nós não somos macacos" (Daniel Alves)


Sim, somos negros e o nosso sangue é vermelho!
José Orlando Vieira Reis (Zelão)
Nesta copa do mundo (não da FIFA, como diz a imprensa) estamos vendo cada coisa! Primeiro foi a imprensa golpista, que é patrocinada por uma burguesia arcaica e escravagista, dizendo que não vai ter copa. Depois, vendo os estádios superlotados de turistas estrangeiros e brasileiros ricos, entraram de cara na publicidade massiva divulgando os eventos da copa. Alguns idiotas com espírito fascista insistem em ir pras ruas fazer baderna em nome de uma pseudomanifestação – manifestar contra a copa? Perguntem se os estádios estão lhes dando ouvidos!
A FIFA bem que tentou fazer uma campanha para amenizar o racismo nos estádios de futebol – tentou. Mas o racismo não é uma questão cultural, como muitos querem nos fazer acreditar, racismo é uma questão de caráter. Quem é racista é mau caráter (e isto o europeu o é por excelência) e mau caráter é qualquer sistema que não combata, com firmeza, o racismo. Um exemplo claro foi no jogo entre Alemanha X Gana no sábado, dia 20.06, em que um (possivelmente) alemão invadiu o campo, tirou a camisa e ostentou no corpo inscrições exaltando o nazismo, como Heil Hitler, CC e SS. Só que, como o direito de imagem é da FIFA, isto ninguém viu pela televisão. Mas do que adiantou esconder se existem outras opções de imagens que circulam livre e imediatamente na internet? A FIFA deixou claro que é racista sim senhores. Querem mais exemplos? Darei.
Por questão de tempo e de gosto, não estou assistindo (pela TV, é claro!) a todos os jogos da copa – tinha que ter muito saco. Mas de todos os que eu pude ver até aqui, uma coisa muito séria tem chamado à minha atenção (e aí, por favor, me corrijam, porque como não sou não quero cometer injustiça): Juízes, bandeirinhas, assistentes, gandulas e outros trabalhadores a serviço da FIFA, todos brancos; no máximo meio, meio, meio moreno – caso raro de alguns de fora da Europa. Nenhum negro. Negro que eu falo é negão mesmo – zulu, cor de tição (como dizia o sinhorzinho Malta). E aí me respondam: a FIFA é ou não é racista? Ou não existe no mundo do futebol um negão bom de apito? Eu digo: existe; nós mesmos temos um que é porreta e bastante respeitado, inclusive pelos jogadores – e por que não está lá??? Fato.
Vou me reportar mais uma vez ao jogo entre Alemanha X Gana – aquele em que um nazista invadiu o gramado sem ser incomodado pela FIFA e fez a sua demonstração até ser contido por um ganês. A seleção de Gana virou o placar adverso para 2 X 1 e num azar daqueles acabou cedendo o empate para a adversária. No final do jogo, num lance acidental, ganês e alemão trocaram cabeçada. Resultado: o ganês ficou com dor de cabeça e o alemão ficou sangrando. Naquela imagem (que a Alemanha talvez quisesse que a FIFA escondesse), o óbvio foi exposto para o mundo inteiro: ELES NÃO TÊM SANGUE AZUL!  
 
 
Parauapebas, Pará. 23.06.14.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O fim da Câmara de Vereadores

Nesse sábado, 21 o ex-vereador Faisal Salmen foi entrevistado na Rádio Arara Azul no programa do Arimateia.Tudo transcorria normalmente até que ele proferiu a seguinte frase: "acho que Câmara de Vereadores tem que acabar aqui em Parauapebas e em todo lugar do Brasil". Seria uma frase normal se não fosse dita por um ex-prefeito, ex-deputado e ex-vereador. Faisal foi vereador na última legislatura e conhece como ninguém a estrutura daquela casa de leis. Então, independente de concordarmos ou não, isso merece no mínimo uma reflexão.

Após lançar a frase bombástica, Faisal discorreu sobre o assunto. Disse que não teria uma proposta de como substituir o atual poder legislativo, mas que teria que mudar esse modelo. Da forma como está é inútil e está longe de cumprir seu papel. O povo exige do vereador um papel que não é o dele. Exige que ele faça o papel do executivo, ressalta Faisal. Ele (o povo) cobra do vereador que lhe arrume emprego. O vereador por sua vez vai cobrar do prefeito o emprego para o povo. O prefeito dá uma secretaria ao vereador em troca de sua fidelidade. Como é que esse vereador terá independência para fiscalizar o prefeito? -questiona o ex-vereador. Da forma como está fica impossível que haja oposição e ambos (prefeito e vereadores) são reféns uns dos outros.

Faisal lança uma questão polêmica, indigesta e que poucos tem coragem de abordar publicamente. Fala que tem que mudar o paradigma e, principalmente a compreensão do eleitor sobre o papel do vereador.  Mais uma vez coloca o eleitor na berlinda. A coisa funciona assim: o eleitor busca um vereador que atenda suas necessidades individuais. Para isso o vereador tem que se aliar ao prefeito e conseguir vagas de emprego e dinheiro, muito dinheiro. Assim, ele fica nas mãos do executivo e perde sua autonomia e papel de legislador. O vereador nessa condição tem que correr contra o tempo e conseguir mais recurso para fazer caixa para garantir sua reeleição. O vereador que não entra nesse esquema fica isolado, de mãos amarradas e não se reelege. Quer dizer que o vereador é refém do mal eleitor? O vereador tem que ser corrupto para conseguir os votos para a próxima eleição?

Essa é uma questão difícil de ser decifrada. Por um lado temos o eleitor que vive nas portas dos gabinetes exigindo todo tipo de coisa dos vereadores: material de construção, dinheiro, emprego para si e para os parentes, dentadura para a sogra, passagens, etc. etc. Por outro lado temos o político que faz de tudo para chegar ao poder e manter esse poder. Em época de campanha distribui dinheiro e compra votos e acaba se elegendo as custas de muita grana e muitas promessas. Segundo o Faisal o Judiciário não tem condições de coibir essa prática. Infelizmente é verdade. A cada ano uma eleição se torna mais cara em Parauapebas e a prática da boca de urna corre solta nas barbas do juiz. A conta é a seguinte: o candidato contrata mil bocas de urna a cem reais cada para o dia da eleição. Ele sabe que o cara não vai fazer boca de urna devido a fiscalização do judiciário. Nem precisa. Com cem reais no bolso a metade desses eleitores tem um surto de falsa honestidade e vota no tal candidato. Desses 500 cabos eleitorais "honestos" metade consegue pelo menos mais um voto. Resultado: mil pessoas contratadas no dia da eleição por cem mil reais renderá ao candidato no mínimo 750 votos.

Mas afinal, o eleitor é o vilão? Seria ele o culpado pela eleição e reeleição dos corruptos? Do outro lado dessa polêmica está o corruptor, o político. Ao longo dos anos o povo foi educado a agir assim e agora os políticos reclamam desse comportamento. Esse dilema tão cedo será resolvido e se parece com aquela duvida eterna:  quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?  E você leitor inteligente que acompanha esse Blog, o que acha? Não sei quem nasceu primeiro mas de uma coisa tenho certeza: enquanto perdurar essa dúvida o "fiofó" da galinha é quem paga a conta.

Me custa muito assumir isso. Quem me conhece sabe que Faisal Salmen foi meu grande inimigo político desde a minha juventude. Mas reconheçamos: ele foi corajoso ao abordar publicamente essa questão e tem razão em muitos aspectos principalmente quando diz que tem que mudar o paradigma do legislativo e a forma como o povo vê o vereador.

sábado, 21 de junho de 2014

Faisal disse: câmara de vereadores tem que acabar.

Nesse sábado o ex-vereador Faisal Salmen deu uma entrevista na Arara Azul onde discorreu sobre o papel do vereador e da oposição.  Achei no mínimo inusitada pra não dizer polêmica.
Segunda feira escreverei sobre essa bomba que é nitroglicerina pura. Vale a pena conferir.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

A carapuça de FHC foi comprada


Por Altamiro Borges

A última pesquisa Datafolha confirmou que FHC é o político mais destetado do país – 57% dos entrevistados garantiram que não votariam em um candidato indicado por ele “de jeito nenhum”. Mesmo assim, vaidoso, ele não consegue ficar quietinho no seu canto, mesmo sabendo que isto pode prejudicar Aécio Neves, o cambaleante presidenciável do PSDB. Citado por Lula num evento no final de semana, FHC­ se sentiu provocado e reagiu nesta segunda-feira (16). “Lamento que o ex-presidente Lula tenha levado a campanha eleitoral para níveis tão baixos. Na convenção do PSDB não acusei ninguém; disse que queria ver os corruptos longe de nós. Não era preciso vestir a carapuça”, escreveu no Facebook.

Mas quem vestiu a carapuça, de fato, foi o próprio tucano. O que irritou FHC foi uma crítica que até hoje não teve respostas. “Vi o ex-presidente falar com a maior desfaçatez: ‘É preciso acabar com a corrupção'. Ele devia dizer quem é que estabeleceu a maior promiscuidade entre Executivo e Congresso quando ele começou a comprar voto para ser aprovada a reeleição”, afirmou Lula na convenção que homologou a candidatura de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo. O petista apenas se referiu a uma denúncia publicada pela própria Folha tucana em 1997 e que, recentemente, ganhou provas mais contundentes com o excelente livro “O príncipe da privataria”, do jornalista Palmério Dória.

A retrucar a alfinetada de Lula, o grão-tucano inclusive forçou a Folha – que, por razões óbvias, nunca mais tratou do assunto e até escondeu o livro de Palmério Dória, um sucesso de vendas – a relembrar o velho escândalo político. O jornal até tenta aliviar a barra de FHC ao dizer que ele “sempre negou o episódio”, mas confirma que “o caso nunca foi investigado nem pelo Congresso, nem pela Procuradoria-Geral da República”. A Folha poderia acrescentar ainda que mídia amiga também arquivou a maracutaia – mas ai já seria pedir demais. Em seu blog, o jornalista Fernando Rodrigues, o primeiro a denunciar o caso, contou um pouco desta história sinistra. Vale conferir:

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Conheça a história da compra de votos a favor da emenda da reeleição

Fernando Rodrigues

16/06/2014

O mais importante a respeito desse episódio de 1997 é que nada foi investigado como deveria. Dessa forma, restam apenas os fatos em torno da revelação do fato – trata-se de fato, pois houve provas materiais periciadas a respeito.

Tento evitar escrever sobre assunto tão antigo porque agora é ocioso especular sobre certos detalhes do episódio. Mas como FHC e Lula trocaram chumbo a respeito, é útil fazer aqui, sem juízo de valor, uma cronologia dos acontecimentos:

1) 28.janeiro.1997 – a Câmara aprova a emenda constitucional da reeleição: dispositivo passa a permitir que prefeitos, governadores e presidente disputem um segundo mandato consecutivo.

2) 13.maio.1997: Folha publica reportagem da compra de votos para aprovação da emenda da reeleição. Manchete no alto da primeira página, em duas linhas: “Deputado conta que votou pela reeleição por R$ 200 mil”.

3) O que disse FHC, então presidente da República: sempre negou o esquema. Dez anos depois, em sabatina na Folha, em 2007, o tucano não negou que tenha ocorrido a compra de votos. Alegou que a operação não foi comandada pelo governo federal nem pelo PSDB: “O Senado votou [a reeleição] em junho [de 1997] e 80% aprovou. Que compra de voto? (…) Houve compra de votos? Provavelmente. Foi feita pelo governo federal? Não foi. Pelo PSDB: não foi. Por mim, muito menos”.

4) Provas: confissão gravada de 2 deputados federais do Acre que diziam ter votado a favor da emenda da reeleição em troca de R$ 200 mil recebidos em dinheiro. Outros três deputados eram citados de maneira explícita e dezenas de congressistas teriam participado do esquema. Nenhum foi investigado pelo Congresso nem punido.

5) CPI: PT e partidos de oposição tentam aprovar requerimento de CPI. Sem sucesso

6) Operação abafa 1: em 21.maio.1997, apenas 8 dias depois de o caso ter sido publicado pela Folha, os dois deputados gravados renunciam ao mandato (Ronivon Santiago e João Maia, ambos eleitos pelo PFL – hoje DEM – do Acre). Eles enviaram ofícios idênticos ao então presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Ambos alegaram “motivos de foro íntimo’”. Em comentário irônico à época, o então deputado federal Delfim Netto disse: “Nunca vi ganhar um boi para entrar e uma boiada para sair”.

Reportagem de 21.maio.1997 relata procedimentos utilizados na reportagem sobre a compra de votos.

7) Operação abafa 2: em 22.maio.1997, só 9 dias depois de a Folha ter revelado o caso, tomam posse como ministros Eliseu Padilha (Transportes) e Iris Rezende (Justiça). Ambos eram do PMDB, partido que mais ajudou a impedir a instalação da CPI para apurar a compra de votos.

8) Operação abafa 3: apesar da fartura de provas documentais, o então procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, não acolhe nenhuma representação que pedia a ele o envio de uma denúncia ao Supremo Tribunal Federal.

Em 27.junho.1997, indicado por FHC, Geraldo Brindeiro toma posse para iniciar o seu segundo mandato como procurador-geral da República. Sempre reconduzido por FHC, Brindeiro ficou oito anos na função, de julho de 1995 a junho de 2003.

9) Fim do caso: em junho de 1997, o Senado aprova, em segundo turno, a emenda da reeleição, que é promulgada. No ano seguinte, FHC se candidata a mais um mandato e é reeleito.

A Polícia Federal não investigou? De maneira quase surrealista, sim. O repórter responsável pela reportagem foi intimado a dizer o que sabia a respeito do caso em… 4 de junho de 2001. O inquérito era apenas protocolar. Não deu em absolutamente nada.

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Leia também:

Livro bomba: O príncipe da privataria